escrituras
por Nanda Massura
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Criança.
pintando imaginações borradas de lágrimas.
Tento acalmá-la mas ela não deixa de gritar.
Muda, pega conchas, papéis, colheres, fotos
joga ao chão pra depois tentar juntar num canto
alguma coisa que tenha forma, que lhe faça sentido.
Ela não entende porque grita ou chora ou sangra.
Ela quer ter a coragem de dizer não, mas é apenas uma criança.
O rangido dos portões.
Ela corre a janela á medidaa que seu peito pula
excitado pela esperança de que seja ele,
mas era só o vento fazendo passos em sua mente.
Ela senta no chão então desejando não ouvir mais nenhuma palavra.
Sente a boca amarga, quer correr atrás
de alguém que a torne doce,
mas suas pernas estão cruzadas e ela não consegue se levantar.
Sabe que deveria estar lá fora, nesses dias de sol,
mas insiste em ficar debaixo do cobertor,
lembrando de como eram bons os passeios no parque.
A verdade é que ela já é adulta e tento todos os dias dizer
isso a ela.
Eu a abraço e digo que vai ficar tudo bem.
A alimento, cuido dela, mas há uma ferida dentro dela
que não me deixa tentar fechar.
E isso a esta matando, pouco a pouco.
Enquanto isso, a observo ali, sentada na sala,
esperando que ela abra a janela pra simplesmente ver o dia nascer
e não mais procurar alguém que o faça brilhar.
Ela só precisa de um pouco de paz.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Gavetas
Uma face derretida do resto de outras velas.
A identidade escorre pelas ruas,
Já não se sabe o que há dentro desses uniformes de concreto.
Em meio ao fim de tarde quente,
Os saltos soam fortes,
Papéis timbrados voam pela janela.
O Vento, os doces, as fotos..
Guardamos em nossas gavetas,
a fim de não sentir, não mudar, não esquecer.
Cansei-me de roupas bem passadas,
de sentar-me do mesmo jeito e do mesmo cheiro das manhãs.
Quero fundos-falsos descobertos
E as chaves para abrir sorrisos, palavras e surpresas.
As traças que nos corroem
logo serão pó,
só o que se tem a fazer é permitir-se estar no horizonte
em cada tarde em que o Sol se pôr,
Sentir a paz que a Lua incide sobre nós.
O que se toca não completa nossos dias.
O que se sente completa nossa essência.
E ainda está em tempo de arejar nossas gavetas.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Pinturas
E não houve uma noite sequer
em que os filmes nao passassem
na escuridão de meus olhos.
O verde intenso da grama
pintando nossa toalha de piquenique
O sopro do vento frio em nossa alma
O céu imenso a nos abençoar
com a tranquilidade de um azul
tão uniforme.
Pinturas tão perfeitas
que custo tão acreditar que são feitas
por minhas mãos, meus passos.
As vezes derramo água
sobre elas, tentando descobrir
se não são à tinta guache.
A Lua ri dessa cena
mas não ofusca meu encanto
de apreciar pinturas cada vez
mais sólidas.
Recosto-me em um acolchoado vermelho,
meus olhos veem pouco,
mas sinto-me segura.
Sinto lábios macios em meu rosto
Sinto um sussuro quente
Eu sinto você.
As cores eram poucas,
muitas eram as palavras,
e nada disso estava em mim.
Somente senti.
As cores não podiam ser vistas,
os gostos nunca antes tocados
as falas caladas,
Teus olhos fitando minha boca
Nosso olhar traduzido num só beijo.
E em tão pouco tempo, aquele sentimento
de necessidade de prender, se desfez
na única vontade de te sentir.
Tantas fitas guardei,
tantas telas cobri,
tantos retratos tirei
Pra então, entender
que não basta ter,
É preciso sentir.
Ao meu amor, que me faz reviver cada pintura de nossa história,
peço que fique comigo,
e dedico todos esses sentimentos meus à ele,
até que o ultimo pincel seque e a ultima cor, desbote.
Pra sempre, Tiago.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Raízes

Movimentos, suor e uma espuma branca
Tudo ao mesmo tempo, tudo mudo
tudo muda.
Calo meus ouvidos, há um som tranquilo em mente
Leio com os olhos
o começo da vida à engatinhar
em direção ao mar,
o natural se aproximar de meus pés
sem medo,
um casal anos 50 com olhar jovem apaixonado.
Mar cinza, verdes arredores.
A respiração sedenta e o mesmo horizonte.
A cena em que nasci
que vi e revivo
enquadra valor a tudo isso.
A calmaria sobrepõe a futilidade
a que nos submetemos.
Sentir o prazer da calma e
o poder de torná-los mudos,
de fazer de ondas devastadoras,
marolas.
Precisamos desse balanço
pois nada é preciso.
A vida não é exata
e é essa assimetria que nos consome
para alcançar a perfeição.
A perfeição está nos momentos
nos segundos de um sorriso estranho
na ajuda sem recompensa
naquilo que te prende e te faz bem.
Eis para mim a união
da linha infinita, a ação do tempo,
a rotina do mar batendo nas rochas.
Eis o que me prende
A areia molhada nos pés,
o mergulho em direção ao fundo.
Minhas raízes me desenterrando
da obscuridade fútil da discórdia,
dos prazeres rápidos,
da adrenalina dos riscos.
Cada passo, de cada um ao meu redor,
marca os segundos mais importantes
de toda vida aqui, interligada.
Todos nós temos algo a oferecer,
basta saber onde procurar.
A beleza está no mundo,
o valor, dentro de nós.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Circo Vida.
Dizer o que pensa e o que sente sempre ajuda a resolver as coisas mais rapido.
Assim se observa esse circo,
cheio de manobras e malabarismos, onde rimos, onde caimos da corda bamba
e choramos..
Bem vindos ao "Circo Vida".
Mas a vida é esse ciclo instavel,
hoje estamos bem, amanha nao mais.
Isso é inevitável.
E quando estamos bem a plateia nos aplaude.
Quando caímos, ela ri de nós.
Por isso temos que aprender a ignorar a plateia
pois o importante não é ela e sim nós.
No nosso show, dos que estão plateia,
só os convidados por nós são importantes.
Voce sabe que muitos comparecem apenas pra ver como estamos nos saindo.
E acredito que os que mais importantes não estão na plateia,
são os que estão atrás do palco. Participando de tudo.
Os que te ajudam atras das cochias, os que limpam sua maquiagem borrada com lagrimas
e os que te abraçam quando o show de cada dia acaba.
Os bons amigos que nos fazem querer continuar nesse circo.
E é por eles, pela força e por tudo que construímos,
que continuo o show nosso de cada dia.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Fotos que falam.
Toda vez que passarmos pelos mesmos lugares, o momento será mágico. A lembrança será sempre magica.
"Meus olhos voltam a registrar as imagens daquela maneira unica que só voce desperta..
As imagens que correm com os olhares, exalam poemas. Porque nesses momentos, as imagens são muito mais do que apenas registros.
Enquanto te olho, os feixes de luz se fazem de linha para eu descrever o que sinto.
Você ao meu lado, a estrada infindável. Você olha pra frente e apoio a minha cabeça no teu ombro.
Fecho meus olhos como se confiasse o meu caminho a você.
Aquele Sol de fim de tarde, lhe dá um ar quente no rosto, passando a mim, o calor que preciso.
Naquela hora, ouvimos 'Só enquanto eu respirar, vou me lembrar de voce..' E assim adormecemos.
Eu sei que um dia, as fotos impressas irão se despedaçar, mas essas imagens ficarão guardadas,
e falarão dentro de mim, até o dia que nao poderei mais abrir meus olhos para admirá-las.
Até o dia que descansarei, pra sempre, com elas."
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Tempo, Tempo mano velho.
'Tento decifrar o valor das reticências...
Penso.
Qual é a duração desses três pontos?
Será que todo ponto final é definitivo?
E de onde vem a calma daquele cara?
hoje, estranhamente, pede que tenhamos paciência.
Mas eu não sei fingir não olhar para os relógios
ou enganar os ponteiros que não estou contando os dias.
Só quero ter o meu tempo, não o tempo limite que me deram.
Decisões não se tomam assim e amores não se vão da noite pro dia.
Porque só eu sei como aqueles minutos, daquela musica, olhando aquele cara, foram eternos.
Não adianta apressar as pernas,
não adianta querer que o Sol fique no horizonte naquele fim de tarde
só porque o assistimos acompanhados por quem amamos.
Não, não adianta fechar os olhos e esperar que tudo passe, pois quando resolver abrir, ainda estará parado no mesmo lugar.
Aprendi que o Sol não vai deixar de se por,
só porque queremos que o dia não termine
e entendi que não adianta tentar decifrar o tempo..
Porque dentro de cada um de nós, dentro de cada momento,
ele passa de maneiras muito diferentes.
Esperar pelo tempo do outro, ou impor o teu próprio tempo ao mundo?
A escolha só depende do respeito que há em cada um de nós
e da maneira como nós o usamos.
Nesse mundo ainda há muitas piscinas cheias de ratos;
Nossas idéias infelizmente não correspondem aos fatos e,
Não podemos nos esquecer que, enquanto tudo isso anda vigente,
O Tempo não pára.'
Há tempos estive sem inspiração pra postar, mas ontem,
após conversar com uns amigos e ouvir uma boa música,
as palavras me vieram no meio da noite, num momento de reflexão de um hora não definida.