segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Pinturas

Passam as luas, passaram os anos.
E não houve uma noite sequer
em que os filmes nao passassem
na escuridão de meus olhos.

O verde intenso da grama
pintando nossa toalha de piquenique
O sopro do vento frio em nossa alma
O céu imenso a nos abençoar
com a tranquilidade de um azul
tão uniforme.

Pinturas tão perfeitas
que custo tão acreditar que são feitas
por minhas mãos, meus passos.

As vezes derramo água
sobre elas, tentando descobrir
se não são à tinta guache.
A Lua ri dessa cena
mas não ofusca meu encanto
de apreciar pinturas cada vez
mais sólidas.

Recosto-me em um acolchoado vermelho,
meus olhos veem pouco,
mas sinto-me segura.
Sinto lábios macios em meu rosto
Sinto um sussuro quente
Eu sinto você.

As cores eram poucas,
muitas eram as palavras,
e nada disso estava em mim.

Somente senti.
As cores não podiam ser vistas,
os gostos nunca antes tocados
as falas caladas,
Teus olhos fitando minha boca
Nosso olhar traduzido num só beijo.
E em tão pouco tempo, aquele sentimento
de necessidade de prender, se desfez
na única vontade de te sentir.

Tantas fitas guardei,
tantas telas cobri,
tantos retratos tirei
Pra então, entender
que não basta ter,
É preciso sentir.


Ao meu amor, que me faz reviver cada pintura de nossa história,
peço que fique comigo,
e dedico todos esses sentimentos meus à ele,
até que o ultimo pincel seque e a ultima cor, desbote.
Pra sempre, Tiago.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Raízes


Movimentos, suor e uma espuma branca
Tudo ao mesmo tempo, tudo mudo
tudo muda.
Calo meus ouvidos, há um som tranquilo em mente
Leio com os olhos
o começo da vida à engatinhar
em direção ao mar,
o natural se aproximar de meus pés
sem medo,
um casal anos 50 com olhar jovem apaixonado.
Mar cinza, verdes arredores.
A respiração sedenta e o mesmo horizonte.
A cena em que nasci
que vi e revivo
enquadra valor a tudo isso.
A calmaria sobrepõe a futilidade
a que nos submetemos.
Sentir o prazer da calma e
o poder de torná-los mudos,
de fazer de ondas devastadoras,
marolas.
Precisamos desse balanço
pois nada é preciso.
A vida não é exata
e é essa assimetria que nos consome
para alcançar a perfeição.
A perfeição está nos momentos
nos segundos de um sorriso estranho
na ajuda sem recompensa
naquilo que te prende e te faz bem.
Eis para mim a união
da linha infinita, a ação do tempo,
a rotina do mar batendo nas rochas.
Eis o que me prende
A areia molhada nos pés,
o mergulho em direção ao fundo.
Minhas raízes me desenterrando
da obscuridade fútil da discórdia,
dos prazeres rápidos,
da adrenalina dos riscos.
Cada passo, de cada um ao meu redor,
marca os segundos mais importantes
de toda vida aqui, interligada.
Todos nós temos algo a oferecer,
basta saber onde procurar.

A beleza está no mundo,
o valor, dentro de nós.