quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Criança.

Há uma criança gritante no meu quarto escuro,
pintando imaginações borradas de lágrimas.
Tento acalmá-la mas ela não deixa de gritar.
Muda, pega conchas, papéis, colheres, fotos
joga ao chão pra depois tentar juntar num canto
alguma coisa que tenha forma, que lhe faça sentido.
Ela não entende porque grita ou chora ou sangra.
Ela quer ter a coragem de dizer não, mas é apenas uma criança.

O rangido dos portões.
Ela corre a janela á medidaa que seu peito pula
excitado pela esperança de que seja ele,
mas era só o vento fazendo passos em sua mente.
Ela senta no chão então desejando não ouvir mais nenhuma palavra.
Sente a boca amarga, quer correr atrás
de alguém que a torne doce,
mas suas pernas estão cruzadas e ela não consegue se levantar.
Sabe que deveria estar lá fora, nesses dias de sol,
mas insiste em ficar debaixo do cobertor,
lembrando de como eram bons os passeios no parque.
A verdade é que ela já é adulta e tento todos os dias dizer
isso a ela.

Eu a abraço e digo que vai ficar tudo bem.
A alimento, cuido dela, mas há uma ferida dentro dela
que não me deixa tentar fechar.
E isso a esta matando, pouco a pouco.
Enquanto isso, a observo ali, sentada na sala,
esperando que ela abra a janela pra simplesmente ver o dia nascer
e não mais procurar alguém que o faça brilhar.

Ela só precisa de um pouco de paz.