Está nos vidros embaçados dos carros,
Uma face derretida do resto de outras velas.
A identidade escorre pelas ruas,
Já não se sabe o que há dentro desses uniformes de concreto.
Em meio ao fim de tarde quente,
Os saltos soam fortes,
Papéis timbrados voam pela janela.
O Vento, os doces, as fotos..
Guardamos em nossas gavetas,
a fim de não sentir, não mudar, não esquecer.
Cansei-me de roupas bem passadas,
de sentar-me do mesmo jeito e do mesmo cheiro das manhãs.
Quero fundos-falsos descobertos
E as chaves para abrir sorrisos, palavras e surpresas.
As traças que nos corroem
logo serão pó,
só o que se tem a fazer é permitir-se estar no horizonte
em cada tarde em que o Sol se pôr,
Sentir a paz que a Lua incide sobre nós.
O que se toca não completa nossos dias.
O que se sente completa nossa essência.
E ainda está em tempo de arejar nossas gavetas.